As geadas em Mato Grosso do Sul acontecem principalmente entre junho e agosto, com julho concentrando a maior parte dos registros, e estão ligadas à chegada de massas de ar frio que passam dois a três dias sobre o estado. O fenômeno é mais frequente e intenso no sul, na região de Dourados, Ponta Porã e Amambai, mas pode alcançar áreas centrais e do norte em anos de frio forte. O milho de segunda safra, que está no campo durante o inverno, é a lavoura que mais sofre.
Em Chapadão do Sul e no Bolsão, o inverno costuma ser seco e com noites frias, por causa da altitude de cerca de 900 metros da sede. Entender como a geada se forma e quando o risco aumenta ajuda o produtor a planejar o plantio e a proteger a renda.
Como a geada se forma
A geada ocorre quando superfícies expostas, como folhas e capim, chegam a 0 °C ou menos durante a noite. As condições que favorecem o fenômeno são:
- céu limpo, que permite à superfície perder calor rapidamente;
- vento calmo, que deixa o ar frio acumulado junto ao solo;
- ar seco, típico da massa de ar que chega depois de uma frente fria.
Um detalhe importante: a temperatura na relva pode ficar de 3 °C a 4 °C abaixo da medida no abrigo meteorológico, a 1,5 metro do chão. Por isso, a geada pode aparecer mesmo quando a estação oficial registra alguns graus acima de zero. Baixadas e fundos de vale são os pontos mais atingidos, porque o ar frio, mais pesado, escorre e se acumula nesses locais.
Tipos de geada
| Tipo | Como ocorre | Efeito |
|---|---|---|
| Geada branca | Noite limpa e sem vento; o vapor d’água congela sobre as superfícies | Camada visível de gelo; pode danificar culturas sensíveis |
| Geada negra | Ar muito seco; não se forma gelo visível, mas a planta atinge temperatura letal | Tecidos escurecidos; considerada a mais severa |
| Geada de vento (advecção) | Entrada de ar frio em movimento, geralmente de origem polar | Queima a folhagem do lado exposto ao vento |

Quando a geada é mais comum no estado
Um estudo publicado pela Embrapa com dados de Dourados, no sul do estado, contou 117 geadas entre 1979 e 2006, uma média de cerca de quatro por ano. A distribuição mostra bem o calendário do risco:
Geadas em Dourados (1979–2006), por mês
- Julho: 51% dos registros
- Junho: 24%
- Agosto: 13%
- Maio e setembro: o restante
Intensidade: 50% moderadas, 27% fracas e 23% fortes.
Os recordes de frio também estão no sul. Nas normais climatológicas de 1961 a 1990, Ponta Porã registrou mínima de -3,0 °C em julho de 1975, e Dourados, -1,7 °C em julho de 1981. Entre 2007 e 2011, a menor mínima do estudo foi de -2,0 °C, em Amambai, em junho de 2011.
O que a geada faz com as lavouras
A sensibilidade varia com a espécie e com a fase da planta:
- Milho: cultura tropical e sensível ao frio. No milho de segunda safra, semeado depois da soja, a geada no período de florescimento ou enchimento de grãos reduz o peso e a qualidade da produção.
- Cana-de-açúcar: o ponteiro queima e o crescimento é interrompido, o que exige manejo para a recuperação.
- Algodão: está entre as culturas mais sensíveis às baixas temperaturas.
- Trigo: é bem mais resistente, mas temperaturas de -3 °C ou menos podem ser letais para as espigas entre o espigamento e a formação dos grãos.
- Pastagens: a geada queima o capim e reduz a oferta de forragem no inverno, período que já é de seca.

2021: o ano em que a geada derrubou a safrinha
Entre 27 de junho e 1º de julho de 2021, uma sequência de frentes frias levou geadas a grande parte de Mato Grosso do Sul, incluindo áreas centrais onde o fenômeno não era registrado havia muito tempo. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, cerca de 604,4 mil hectares de milho foram atingidos, aproximadamente 30% da área cultivada no estado. A estimativa de produção caiu de 8,2 milhões para, no máximo, 6,2 milhões de toneladas, em um ano em que a lavoura já sofria com seca e granizo.
Na época, só 1% das lavouras foi classificado em boas condições pela entidade; 38% estavam em situação regular e 61%, ruim. O episódio reforçou a importância do planejamento da semeadura e do seguro agrícola.
Como reduzir o risco
- Seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc): o Ministério da Agricultura indica, por município e cultura, as janelas de plantio com menor risco. O seguro rural e o Proagro exigem o plantio dentro desses períodos.
- Escolher a época de semeadura: antecipar o plantio do milho de segunda safra reduz a chance de a fase mais sensível coincidir com o frio.
- Usar cultivares adequadas à região e ao calendário.
- Observar o relevo: evitar culturas sensíveis em baixadas e remover obstáculos que represam o ar frio.
- Acompanhar alertas: o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgam avisos de frio intenso e geada.
Perguntas frequentes
Geada acontece em Chapadão do Sul?
Pode acontecer em invernos mais rigorosos, sobretudo em baixadas, mas o fenômeno é bem mais frequente no sul do estado. O inverno na região é marcado principalmente pela seca e por noites frias.
Qual é o mês com mais geadas em Mato Grosso do Sul?
Julho. No estudo da Embrapa com dados de Dourados, o mês concentrou 51% das geadas registradas entre 1979 e 2006.
Por que a geada negra é pior que a branca?
Porque ocorre com ar muito seco: não há formação de gelo, que libera um pouco de calor ao se formar, e a planta chega diretamente à temperatura letal. O dano costuma ser mais severo.
O seguro agrícola cobre perdas por geada?
As modalidades de seguro rural e o Proagro costumam incluir eventos climáticos como a geada, desde que a lavoura tenha sido implantada conforme o zoneamento e as regras de cada apólice ou programa.
Fontes consultadas: Embrapa (estudos de agrometeorologia do sul de MS e de tolerância ao frio); Ministério da Agricultura e Pecuária (Zarc); Cemtec/Semadesc-MS; Aprosoja/MS, via Revista Cultivar; Climatempo; Wikipedia (Chapadão do Sul).
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