O algodão de Mato Grosso do Sul está concentrado no leste e no nordeste do estado, nos chapadões de Costa Rica, Chapadão do Sul e Cassilândia. Em 2024, esses três municípios somaram cerca de 85% dos 32,3 mil hectares de algodão do estado, segundo o IBGE. A cultura é plantada no verão, em sistema de plantio direto, e colhida no inverno seco, entre junho e setembro.
Onde se planta algodão em Mato Grosso do Sul
A Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE de 2024 mostra que poucos municípios concentram a área de algodão do estado. A liderança é de Costa Rica, seguida por Chapadão do Sul:
| Município | Área plantada em 2024 (ha) |
|---|---|
| Costa Rica | 17.234 |
| Chapadão do Sul | 8.755 |
| Alcinópolis | 2.267 |
| Campo Grande | 1.930 |
| Cassilândia | 1.500 |
| Maracaju | 470 |
| Aral Moreira | 128 |
| Mato Grosso do Sul | 32.284 |
Em 2024, o estado colheu 150,5 mil toneladas de algodão em caroço. Em Chapadão do Sul, a produção foi de 41,1 mil toneladas, com valor de R$ 180,9 milhões. A área do município cresceu em relação a 2023, quando foram 6.969 hectares.
Na comparação nacional, Mato Grosso do Sul é um produtor de porte médio. Pelos números da Câmara Setorial do Algodão, ligada ao Ministério da Agricultura, o estado produziu 66,6 mil toneladas de pluma em 32 mil hectares na safra 2023/24, enquanto Mato Grosso, o maior produtor, colheu 2,67 milhões de toneladas.
Por que o algodão se concentra no leste do estado
A região dos chapadões reúne condições que favorecem a cultura:
- Relevo plano, que permite o uso intensivo de máquinas, das plantadeiras às colheitadeiras específicas de algodão;
- Altitude elevada, acima de 800 metros em Chapadão do Sul;
- Estações bem definidas, com chuvas regulares no verão para o desenvolvimento da planta e inverno seco que facilita a colheita da pluma;
- Estrutura instalada, com produtores experientes, assistência técnica e entidades de pesquisa.

Como é o ciclo do algodão no cerrado sul-mato-grossense
Plantio no verão
Relatórios da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) mostram que o plantio do algodão de primeira safra começa em novembro nas regiões sul e centro-sul do estado e, no restante, a partir de dezembro. No norte, a recomendação é concluir a semeadura até o fim de dezembro; em anos de chuva excessiva, o trabalho pode atrasar e avançar para janeiro.
Plantio direto e palhada
Segundo levantamento da Ampasul divulgado em janeiro de 2020, todos os cotonicultores de Mato Grosso do Sul usam o sistema de plantio direto, semeando sobre a palha da cultura anterior. Naquele ciclo, o milheto foi a principal cobertura (63% da área), seguido do nabo forrageiro (21,21%) e da crotalária (11,73%). Essas plantas protegem o solo e, de acordo com a Embrapa, ajudam a reduzir a população de nematoides.
Rotação com soja
O algodão costuma entrar em rotação com a soja e o milho. Pelo mesmo relatório, a maior parte das áreas que tiveram algodão na safra 2018/19 recebeu soja em 2019/20. A rotação ajuda no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas.
Colheita no inverno
No norte do estado, a colheita costuma começar em junho e se estender até o fim de agosto ou a primeira semana de setembro. Em junho de 2020, a Ampasul informou o início da colheita em Cassilândia, Chapadão do Sul e Costa Rica, que somavam 24.871 hectares, ou 80% da área de primeiro ciclo do estado. A expectativa de produtividade era superior a 300 arrobas de algodão em caroço por hectare; em 2019, a média tinha sido de 309 arrobas.
Calendário típico do algodão no leste de MS
- Novembro: preparo das áreas no norte do estado (no sul e centro-sul, já há plantio)
- Dezembro (até janeiro, em anos chuvosos): semeadura
- Janeiro a maio: desenvolvimento da lavoura durante a estação chuvosa
- Junho a setembro: colheita, no período seco
- Após a colheita: destruição de restos culturais e vazio sanitário
O desafio do bicudo-do-algodoeiro
A principal praga da cultura é o bicudo-do-algodoeiro, um besouro que ataca botões florais e maçãs. Para controlá-lo, os produtores combinam monitoramento com armadilhas, destruição dos restos da lavoura após a colheita e o vazio sanitário, período em que não pode haver plantas vivas de algodão no campo. A Ampasul instala armadilhas nas áreas de associados e também faz ações de eliminação de plantas voluntárias de algodão que nascem às margens de rodovias.
As datas oficiais de semeadura e do vazio sanitário são definidas pelos órgãos de defesa agropecuária e podem mudar de uma safra para outra. Por isso, o produtor deve conferir as normas vigentes na Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) antes de planejar a safra.

Pesquisa e entidades em Chapadão do Sul
Chapadão do Sul tem papel central na cadeia do algodão do estado. O município sedia atividades da Ampasul, como treinamentos de manejo integrado de pragas, e abriga a Fundação Chapadão, entidade de pesquisa criada por produtores em 1997 e voltada à geração de tecnologia para a região dos chapadões. O câmpus da UFMS na cidade, com cursos de Agronomia e Engenharia Florestal e pós-graduação em Agronomia, também desenvolve pesquisas ligadas às lavouras locais.
Perguntas frequentes
Qual é o maior produtor de algodão de Mato Grosso do Sul?
Costa Rica, com 17.234 hectares em 2024. Chapadão do Sul vem em segundo, com 8.755 hectares, segundo o IBGE.
Quando o algodão é plantado em Chapadão do Sul?
No verão, principalmente em dezembro, com tolerância para janeiro em anos de chuva excessiva. A colheita ocorre entre junho e setembro.
Quanto algodão Mato Grosso do Sul produz?
Em 2024, o IBGE registrou 150,5 mil toneladas de algodão em caroço, em 32,3 mil hectares.
O que é o vazio sanitário do algodão?
É o período, definido pelos órgãos de defesa agropecuária, em que não pode haver plantas vivas de algodão no campo, para quebrar o ciclo do bicudo-do-algodoeiro.
Fontes consultadas: IBGE – Produção Agrícola Municipal 2024 (municípios de MS); IBGE – Produção Agrícola Municipal 2024 (MS); IBGE – Produção Agrícola Municipal 2024 (Chapadão do Sul); Ampasul, via Notícias Agrícolas e Revista Cultivar; Canal Rural (Câmara Setorial do Algodão); Revista Cultivar (Fundação Chapadão).
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